Covid-19: qual a situação das vacinas pelo mundo?

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Mulher segura frasco rotulado como de vacina para Covid-19 em foto de ilustração 10/04/2020 REUTERS/Dado Ruvic

Mais de 10 bilhões de vacinas contra a covid-19 já foram compradas antecipadamente por dezenas de países. Desenvolvedores que alcançaram a fase de 3 de produção estimam que terão doses suficientes para imunizar 1/3 da população mundial até o fim de 2021.
As três principais fabricantes com maior alcance global — AstraZeneca, Pfizer e Moderna — planejam ter capacidade total de produção de 5,3 bilhões de doses até 2021 e imunizar entre 2,6 bilhões e 3,1 bilhões de pessoas, de acordo com a revista Nature.
Os países mais ricos têm vantagem na corrida pela vacina, enquanto os outros depositam esperança na Covax, uma iniciativa internacional liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para distribuir a vacina por todo o planeta.
A imunologista e pesquisadora da University College London, Ariane Cruz, vê duas principais dificuldades para as campanhas de vacinação: a logística e a aderência à vacinação. “Os desafios vão depender dos requerimentos específicos de cada tipo de vacina quanto à logística de cadeia fria para armazenamento e distribuição, e às infraestruturas existentes de outros programas de imunização em cada país”.
Segundo Cruz, o Brasil é referência mundial em programas de imunização em larga escala e possui um sistema público de saúde, o SUS, que tem possibilidades de chegar a cantos remotos de um país com território continental.
A possível resistência por parte da população para tomar a vacina também chama a atenção da pesquisadora. “Vejo com grande preocupação a usurpação desse assunto tão sério para a saúde e economia em palanques eleitoreiros”, afirma. “Seria importante uma ação a nível nacional visando informar e educar a população quanto ao processo de desenvolvimento das vacinas a fim de aumentar a confiança e aderência da população”.
Estados Unidos
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), órgão de saúde dos Estados Unidos, anunciou no domingo (13) a aprovação da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelas farmacêuticas Pfizer e BioNTech. A imunização começou na segunda-feira (14).
Em nota, o diretor do CDC, Robert R. Redfield, comemora a aprovação do imunizante em momento crítico, de nova alta de casos do novo coronavírus nos EUA. Neste sábado, o país registrou 3.309 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas.
O governo pretende distribuir 3 milhões de doses em todo o país 48 horas após a aprovação de emergência. O presidente eleito, Joe Biden, prometeu aplicar 100 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 nos 100 primeiros dias de governo. Biden assume em 20 de janeiro. A Pfizer deve entregar exatamente 100 milhões de doses aos EUA nos próximos meses, número suficiente para vacinar 50 milhões de americanos. O país tem 328 milhões de habitantes.

Rússia
A Rússia foi o primeiro país ocidental a aprovar uma vacina, em agosto. A Sputnik V, que tem 95% de eficácia, segundo os desenvolvedores, começou a ser distribuída no dia 5 de novembro a profissionais de saúde, idosos e professores.
Especialistas de saúde, por outro lado, ainda se mantêm céticos sobre o nível de sua eficácia. O ministro de saúde da Turquia, Fahrettin Koca, afirmou que o país não comprará a vacina russa por “faltar com boas práticas laboratoriais”. O governo russo planeja vacinar 2 milhões de pessoas ainda em dezembro.

Reino Unido
O Reino Unido começou a campanha de vacinação em 8 de dezembro após aprovar a vacina da Pfizer. Cerca de 400 mil idosos e profissionais de saúde fazem parte da campanha inicial. Idosos em casas de repouso e funcionários são prioridade.
Depois, maiores de 80 anos e as equipes de saúde. A segunda fase terá como alvo os mais vulneráveis, incluindo professores e trabalhadores de transporte. Depois virá o restante da população. O país comprou 40 milhões de doses da Pfizer e espera que 4 milhões delas cheguem até o final do ano.

França
A França comprou 200 milhões de doses de diferentes vacinas e acredita poder vacinar até 100 milhões de pessoas – quase duas vezes o total de 66 milhões de franceses. O desafio é convencer a população a ser imunizada, já que a vacina não será obrigatória. Uma pesquisa do Ipsos mostra que apenas 59% estão dispostos a ser vacinados – número inferior aos Estados Unidos, de 67%.
A imunização será feita em cinco fases. Na primeira, serão vacinados 650 mil idosos em casas de repouso. Na segunda, pessoas com mais de 75 anos e mais de 65 anos com comorbidades. Na terceira, pessoas com mais de 50 anos e pessoas abaixo dessa faixa com comorbidades. Na quarta, pessoas com alto risco de contaminação, que tiveram contato com pessoas infectadas. Na última, todos os maiores de 18 anos.

Alemanha
Os primeiros a tomar a vacina serão idosos, profissionais de saúde, funcionários de casas de repouso e forças de segurança. A Alemanha garantiu 300 milhões de doses pela Comissão Europeia, contratos bilaterais e outras opções, segundo o ministro da saúde Jens Spahn. O governo do país mais populoso da Europa, com 83 milhões de pessoas, acredita que só em 2022 concluirá a vacinação de todos.

Canadá
O país aprovou a vacina da Pfizer na quarta-feira (9), e iniciou a campanha de vacinação na segunda-feira (14). O primeiro-ministro Justin Trudeau afirmou que o país receberá 249 mil doses até o final deste ano. O Canadá comprou 20 milhões de doses da Pfizer, com opção para compra de mais 56 milhões de unidades, suficientes para imunizar 38 milhões de pessoas – pouco mais do total de 37 milhões de habitantes do país.

México
Logo após o Reino Unido autorizar a aplicação da vacina da Pfizer, o México comprou 34,4 milhões de doses da empresa. De acordo com o governo, 250 mil unidades devem chegar ao país no dia 17 de dezembro.
Profissionais da área de saúde do México serão o primeiro grupo prioritário a receber a vacina contra covid-19. O presidente Andrés Manuel López Obrador afirmou a intenção de começar a campanha de vacinação já em dezembro para profissionais de saúde e começar a vacinar idosos acima de 60 anos em fevereiro.
No México, a vacina chinesa da CanSino está na fase 3 de testagem. O país deve assinar um acordo para ter 35 milhões de doses da vacina da CanSino. Outras três empresas aguardam parecer da agência regulatória para iniciar testes no país de 130 milhões de pessoas.

Japão
O Japão tem acordo com Pfizer, AstraZeneca-Oxford e Moderna para obter 290 milhões de doses para 145 milhões de pessoas e já prepara a cadeia de resfriamento para receber o conteúdo.
O Ministério da Saúde japonês anunciou na quinta, 10, que o país comprará 10.500 resfriadores para armazenar as vacinas que precisam ser contidas em unidades a temperaturas de -20ºC (Moderna) e -70ºC (Pfizer).

Coreia do Sul
A Coreia do Sul comprou 64 milhões de doses de quatro companhia farmacêuticas (AstraZeneca-Oxford, Pfizer, Johnson & Johnson e Moderna) para inocular 34 milhões de pessoas.
Mais 10 milhões de doses virão do plano de vacinação da OMS, a Covax. A meta, segundo o ministro da saúde Park Neung-hoo, é receber doses suficientes para vacinar 88% da população de aproximadamente 51 milhões de coreanos até fevereiro de 2021.

China
A China aposta na produção de mais de uma vacina em seus laboratórios. O país hoje tem quatro vacinas diferentes já na última fase de testes – antes de poder ser distribuída ao público. Uma das principais na corrida, a da Sinovac, tem 86% de eficácia, segundo os Emirados Árabes Unidos, um dos compradores da imunização. A Coronavac, distribuída em São Paulo, deve ter os últimos resultados publicados pelo Instituto Butantan até o final do ano.
O país ainda não definiu quando deve começar a iniciar a campanha de vacinação, mas mais de 1 milhão de profissionais de saúde receberam vacinas experimentais. Oficiais de saúde chineses afirmam que o país deve produzir 610 milhões de doses até o fim deste ano e 1 bilhão em 2021.